"Vamos pensar se a gente faz a coisa certa, só apontar pra Brasília não pode", diz Fabio Barbosa

Publicado em: Blog Guarda Sol

Foto: João Souza, Divulgação

O executivo Fábio Colletti Barbosa fez uma palestra a empresários de Itajaí e região nesta terça-feira, a convite da ADVB/SC. O foco era o cenário político-econômico do país, mas o executivo _ que carrega no currículo passagens pelo ABN Amro Real, Santander Brasil, Febraban e Grupo Abril, além de ter integrado o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência da República _ foi além. Falou do que chama de “reforma de valores” e da necessidade de cada um fazer a sua parte para construir o futuro do país, citando as pequenas corrupções do dia-a-dia.

Barbosa elogiou o sistema de parcerias público-privadas, defendeu aumento da produtividade e investimento em educação. Mas também “pisou no calo” e desmistificou o falso dilema de que é preciso fazer errado para sobreviver: “Você pode dar certo fazendo a coisa certa, do jeito certo”, afirmou.

Confira a entrevista concedida por ele antes da palestra:

É hora de investir?
Ninguém pode ignorar o cenário econômico, mas a gente pode plantar o futuro que quer ver. Acompanhei (em Itajaí) muita iniciativas público-privadas, a articulação dos municípios da Amfri, que mostram que as pessoas estão buscando caminhos para que a região possa crescer independentemente de ficar esperando recursos do governo estadual, federal. Esse é o conceito, cada região buscar seu caminho. E as pessoas também, assim como as empresas, devem buscar sua forma de contribuir. É na somatória das ações de cada indivíduo que a gente vai construir o país que quer.

A taxa de desemprego em SC menor do que em outros estados é diferença entre governos ou empresas?
SC sempre teve um setor privado muito forte, teria que haver uma análise cultural de por quê isso acontece, mas o setor privado sempre foi muito pujante, a gente vê a valorização das parcerias público-privadas, a questão da educação, vários fatores foram diferenciando ao longo do tempo e dão a SC uma base mais estável do que em outros estados. A dependência econômica sendo maior, e a crise econômica batendo, aqueles que dependem mais do Estado sofrem mais.

Há segredo para enfrentar uma crise?
Não tem dica nem segredo, tem é muito esforço. O que a gente precisa é restabelecer a confiança. Numa crise de confiança o consumidor hesita em consumir, o investidor hesita em investir e a economia não caminha. Agora que tão sendo feitos ajustes pra colocar as contas no lugar, é olhar o que vem depois. Passada a fase do arrocho, é como se fizéssemos uma cirurgia, pra depois ter a expectativa de uma vida melhor. A desvalorização cambial foi muito forte, mas abre espaço pra alguns setores se desenvolverem.

A redução de gastos públicos é o lado positivo da crise?
Toda crise serve para repassar o que precisa ou não fazer, os gastos que se tem. Acho positivo que a gente faça os ajustes e tenha um Estado que caiba dentro da arrecadação. Quando a economia voltar (a crescer) o fato de termos feito isso vai nos dar um crescimento mais acelerado. A questão da corrupção, dos gastos públicos, a gente tá repensando tudo isso e vai sair mais forte depois.

O que é a reforma de valores que você propõe?
Faço muito esse jogo de provocar as pessoas dizendo que além das reformas políticas discutidas em Brasília, cada um de nós tem que pensar no que fazemos no dia-a-dia, na tolerância que temos para com pequenos delitos, nos pequenos desvios que sabemos que não são corretos. Os chineses têm uma frase maravilhosa, que é “se cada um varrer a sua calçada, o país tá limpo”. Vamos pensar no nosso dia-a-dia e ver se a gente faz a coisa certa. Só apontar pra Brasília não pode.

Os valores da sustentabilidade nas empresas, que você começou a defender 15 anos atrás, permanecem?
Não vejo outro caminho a não ser as pessoas se envolverem na questão ambiental, social, ética. Eu continuo vendo com muita relevância e felizmente os jovens estão cada vez mais atentos a isso. Se minha geração não deixou um Brasil melhor pra nossos filhos, está deixando filhos melhores pro nosso Brasil. Eles estão cada vez mais conscientes e a cobrança virá.

O que é mais fácil gerir: bancos ou comunicação?
Todos têm suas dificuldades, suas especificidade. O (setor) dos bancos tá equacionado, a gente tem um setor financeiro sólido, e isso tranquiliza o Brasil. A questão da mídia é como se adaptar às mudanças com tecnologia, com rupturas tecnológicas, a questão digital. Que mídia é essa que vai surgir? Mas tenha o formato que tiver, a gente não pode perder a noção de que uma mídia livre, forte e saudável, independente, é fundamental para a economia e a sociedade que a gente quer construir.


Fonte: http://wp.clicrbs.com.br/guarda-sol/2015/08/25/vamos-pensar-se-a-gente-faz-a-coisa-certa-so-apontar-pra-brasilia-nao-pode-diz-fabio-barbosa/?topo=98,2,18,,,15






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